Pessoas, hoje (22 de Março, como posto de noite o WordPress sempre erra a data…) faz 178 anos sem Goethe, eu não vou colocar uma biografia ou mais um poema dele, que O Divino sirva como homenagem. O que eu vou fazer hoje é antes de dormir ler os pedaços que mais gosto de Fausto I e II e de Werther, não é importante que as pessoas se lembrem dessa data como eu, ou que idolatrem ele como eu ou até mesmo que leiam ele, o importante é fazer com que a humanidade não esqueça dos seu gênios, então por favor, vocês não precisam ler Boas Vindas e Despedidas (apesar de ser altamente recomendável) ou o Prólogo no Céu, só se lembrem do nome dele, lembrem dele como um gênio, como um grande escritor, como um grande sábio. Se ele for lembrado assim, podem ter certeza, o fato de Goethe ter nascido e feito tudo que ele fez não terá sido em vão e nós estaremos mais perto do que ele queria que a humanidade fosse: Nobre, Caridosa e Boa
Das Göttliche
Sim, de alguma maneira eu consegui um tempo para postar aqui, e já aviso, vai ficar mais complicado postar sobre literatura já que Dr.Fausto e Catch-22 vão ter que ser deixados de lado em favor dos livros da UFRGS, mas abandonando minhas leituras frustadas eu vou colocar um poema de Goethe, um dos clássicos e um dos melhores: O Divino.
Das Göttliche é um poema de 1783, o fim da fase inicial de Goethe, e apresenta um ideal de Goethe para a humanidade. Outro ponto é que esse poema enterra a ideia de períodos literários, em teoria esse poema deveria ser Romantismo, no entanto a terceira estrofe é Neoclássico puro, eu juro que tem uma estrofe com a mesma ideia em Marília de Dirceu. Chega de conversa, vamos ao poema.
Nobre seja o homem,
Caridoso e bom!
Pois isso apenas
É que o distingue
De todos os seres
Que conhecemos.
Glória aos incógnitos
Mais altos seres
Que pressentimos!
Que o homem se lhes iguale!
Seu exemplo nos ensine
A crer naqueles!
Pois insensível
É a natureza
O Sol ‘spalha luz
Sobre os maus e bons
E ao criminoso
Brilham como ao santo
A lua e as ‘strelas.
Vento e torrentes,
Trovão e saraiva
Rugem seu caminho
E agarram
Velozes passando,
Um após o outro.
Tal a sorte às cegas
Lança mãos à turba
E agarra os cabelos
Do menino inocente
Ou a fronte calva
Do velho culpado.
Por eternas leis,
Grandes e de bronze,
Temos todos nós
De fechar os círculos
Da nossa existência.
Mas somente o homem
Pode o impossível:
Só ele distingue,
Escolha e julga ,
E pode ao instante
Dar duração.
Só ele é que pode
Premiar o bom,
Castigar o mau,
Curar e salvar,
Unir com proveito
Tudo que erra e divaga.
E nós veneramos,
Os imortais
Como se homens fossem,
Em grande fizessem
O que em pequeno o melhor de nós
Faz ou deseja.
Que o homem nobre
Seja caridoso e bom!
Incansável crie
O útil, o justo,
Enos seja exemplo
Dos seres pressentidos.
(tradução de Paulo Quintela, 1783)
Muitas ideias aqui não? em primeiro lugar eu acho que é um poema sobre o que nos torna “homens” não no sentido biológico, é claro, mas em um sentido mais cultural e filosófico, Goethe fala que é nossa capacidade de julgar e eternizar o momento (arte), ele critica um pouco religião, dizendo que os Deuses são nada mais que figuras imaginárias de homens que podem muito e também realça que a natureza e a sorte são insensíveis quanto a bem ou mal.
Não, não é mera casualidade essa visão de humanidade de Goethe ser parecida (igual) a minha, eu nunca menti, Goethe é o escritor que mais me influenciou. A única crítica que pode se fazer é que essa visão de Goethe pode ser considerada parcial, se pensarmos na vida que ele teve: Advogado, Conselheiro de Estado e um dos três membros da Alta Corte de Weimar (então fica claro que ele julgava bastante) e também artista, aquele que eterniza o momento; Analisando isso podemos concluir que ou toda a filosofia de Goethe não presta, ou ele era um homem muito bom… Julguem como quiserem, mas a ideia que um humano é quem pode julgar os humanos, não os deuses, que produzir arte é o que faz um ser humano e que devemos ser “caridosos e bons” é difícil de ser criticada. Esse poema é uma filosofia de vida, alguns podem discordar totalmente, para mim foi um dos poemas mais importantes que já li.
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Don Giovanni, música por Mozart, libreto por Da Ponte e filme por Losey
Existe certas músicas, certos livros que por alguns momentos podem fazer uma pessoa experimentar aquela sensação de se estar diante de algo grande, de algo belo, de algo realmente magnífico, a essas obras se dá títulos como excelente ou muito bom, tudo que está um pouco abaixo delas se nomeia bom ou razoável, as obras muito abaixo disso são ruins, péssimas, pagode ou funk (sem preconceito) . Existe, no entanto, algumas obras que vão além disso, que fazem o leitor, ou ouvinte ou apreciador se sentir diante de real beleza e grandeza o tempo inteiro, obras em que nada pode ser alterado sem ser um sacrilégio, músicas onde cada nota imita a perfeição, livros onde cada palavra está perfeita em seu lugar, e se for alterada toda obra vai cair, esses pingos de divindade que são o fruto máximo das mentes mais brilhantes desse mundo são as Magna Opera, plural para Magnus opus, latim para Grande Obra; Os nomes delas já escutamos várias vezes, temos a Nona Sinfonia de Beethoven, Mona Lisa, Dom Quixote, Ilíada, Eneida, Divina Comédia, Hagia Sofia et cetera. Eu costumo falar em Fausto e Réquiem em D menor para me referir a essas fagulhas de perfeição, e ainda continuo falando nesses dois, porém em terceiro lugar adiciono Don Giovanni de Mozart filmado por Losey.
Não posso comentar Don Giovanni só como ópera, pois a versão que me fez ver como a obra é perfeita também é um filme, Don Giovanni por Losey é um Filme-Ópera e é brilhante. Os aspectos cinematográficos eu não ouso comentar por ser bem ignorante sobre o assunto, deixo para o Huyer ou o Pedro que realmente entendem do assunto comentarem se um dia assistirem o filme (o que eu altamente recomendo). Posso dizer que eu achei bonito, os locais em Veneza e na região do Vêneto que escolheram para filmar foram muito bem acertados e combinam muito com a o libreto e com a música, e a maneira como tiraram a ópera do espaço restrito do palco, que por melhor que seja nunca vai conseguir imitar um espaço de verdade, especialmente um tão belo como Veneza é o real charme do Filme, junto com a maneira que a câmera segue os atores enquanto caminham e cantam, sempre seguindo a música. Já sobre a música eu me arrisco a falar um pouco mais e a falar que ela está perfeita, Losey reuniu os melhores cantores da ópera na época e o resultado disso ficou fantástico, não existe uma personagem que esteja com algum defeito, o Leporello de José van Dam , algumas vezes dito como tedioso eu achei muito bem feito e cômico na medida certa, Edda Moser está magnífica como Donna Anna, Kiri Te Kanawa é a melhor Donna Elvira possível, basta eu lembrar dela no quarteto do primeiro ato que eu quero largar tudo e ver o filme de novo, Kenneth Riegel faz um Don Ottavio que varia entre o muito competente e excelente e quem sabe seja o cantor mais fraco no elenco ( O que é uma pena, uma vez que Don Ottavio é meu personagem favorito da ópera). Don Ottavio tem duas árias de peso: Dalla Sua Pace e Il Mio Tesoro, a última muito mais complicada que a primeira, mas mesmo assim Riegel inverte a ordem natural e canta Il Mio tesoro de uma maneira fantástica e ao mesmo tempo faz Dalla Sua Pace ficar apagada no meio do filme
(Uma OBS. Interessante é que no original de Mozart não havia Dalla Sua Pace, Mozart a criou pois o tenor que cantou a ópera em Viena não conseguia cantar Il Mio Tesoro, desde então é costume colocar as duas árias nas produções da ópera, mas geralmente exige criatividade para encaixar Dalla Sua Pace, e o filme resolve isso muito bem)
O casal camponês Zerlina e Masetto , interpretados por Teresa Berganza e Malcolm King também está impecável, a ária de Zerlina Bati, Bati o bel Masetto é realmente impressionante pois ela é ou cômica ou terrivelmente masoquista e machista, eu realmente não acho que a ária seja machista e sempre prefiro ver ela como cômica, mas é uma ária com uma letra interessante de qualquer maneira. Para o final eu deixei propositalmente Ruggero Raimondi, deixei para o fim para deixar bem claro que ele é o Don Giovanni perfeito, a maneira com que Raimondi canta e atua como o libertino é louvável, saiba que sua reação nunca vai ser neutra para com qualquer Don Giovanni e com Raimondi ela vai ser exaltadíssima ou você vai querer espancar ele ou vai querer pausar o filme e aplaudir ele, não existe meio termo.
Esse Filme-Ópera, o primeiro do gênero que eu vi, embora saiba de outros, é uma ideia brilhante, e é fácil ver isso quando vemos La cì darem La mano cantada na Villa Rotonda ou a abertura com um barco passando pelos canais de Veneza ou ainda a lista de Don Giovanni rolando nas escadas na famosa ária de Leporello. O figurino é primoroso também, e foi um dos aspectos que mais chamaram minha atenção no filme, o personagem do Valete Negro é muito interessante apesar de não falar nenhuma vez (ou possivelmente por não falar nenhuma vez) e ao meu ver é a única adição de Losey na obra de Mozart. Meu veredito a essa altura já está bem claro, Don Giovanni é espetacular, a ópera sozinha já é a melhor ópera já feita, não a que eu mais gosto, mas eu admito que ela é melhor que A Flauta Mágica e essa versão de Losey só enriquece a obra, se você é aquela pessoa que tem uma visão clichê de ópera veja esse filme, veja pois Don Giovanni tem um tema que nunca morre, amor, traição,morte,libertinagem, vingança… tudo podendo ser resumido nas palavras de Gounod sobre essa mesma ópera: “ Um trabalho sem defeitos, de perfeição ininterrupta”
Aqui vai só UM vídeo do filme, para servir de chamariz e convite para assistirem ao filme.
O quarteto do primeiro ato que eu tanto gostei: http://www.youtube.com/watch?v=ykrjv4ctb7w
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Madama Butterfly
Nesse dia, 17 de Fevereiro, no ano de 1904, no teatro La Scala de Milão um dos maiores gênios da ópera apresentava o que viraria a ser sua obra mais conhecida e a ópera mais popular de toda história. Hoje Madama Butterfly de Giacomo Puccini faz 106 anos,o que é esquecido na história é que em sua primeira apresentação a ópera mais produzida ano após ano fez que a platéia gritasse no fim do primeiro ato: “Isso é igual a La Bohème, nos dê algo novo!”. Sim a ópera mias popular de todos os tempos foi um completo fiasco na sua estréia, e não um fiasco como Figaro ou Salome que causaram impacto pelo tema, Figaro foi patrocinado por um Imperador Habsburgo na véspera da Revolução Francesa(PORÉM a ópera não herdou quase nada da crítica da peça original) e Salome foi a primeira ópera a combinar um tema bíblico com uma dança erótica (possivelmente tenha sido a primeira vez na história que tenham feito isso). Não Mada Butterfly foi um fiasco por que era ruim mesmo, e perigosamente parecida com La Bohème, o que Puccini fez depois do desastre no La Scala foi recompor a ópera, e ele fez isso não só uma, mas quatro vezes, sim Madama Butterfly tem 5 versões, sendo a quinta conhecida com “Versão Padrão” e também a que é apresentada, se ela é boa? Certamente, se ela merece ser a ópera mais popular e comentada de todos os tempos? Pessoalmente, NÃO.
Madama Butterfly tem seu libreto tirado da peça do americano John Luther Long, Madame Butterfly. A ópera conta a história de uma gueixa japonesa, Cio-Cio-San, que casa com um oficial da marinha americana, B.F Pinkerton , porém o casamento é feito através de um acordo um tanto obscuro no qual o americano se casa com ela por 999 anos, mas tem o direito de revogar o acordo a casa mês, além disso o casamento é nulo perante a lei americana, dando a chance de Pinkerton se casar nos Estados Unidos com outra mulher. Cio-Cio-San vira cristã, é expulsa da família, abandonada pelo marido e tem um filho ao longo da ópera, e é sempre acompanhada pela fiel criada Suzuki. No geral a ópera é bem boa Cio-Cio é uma spinto soprano, que é uma soprano comum (soprano lírica) que pode ser empurrada (spinto é empurrada em italiano) para passagens dramáticas sem dificuldades, Pinkerton é um tenor bem igual aos outros de todas as óperas de Puccini.
INTERMEZZO: (Diz a lenda que Tolkien culpava Shakespeare por ter criado a imagem de elfos baixinhos e felizes parecidos com fadas, se isso é verdade eu não sei, o que eu sei é que EU Culpo Puccini, Rossini e Donizetti por popularizarem tanto os tenores, QUE NÃO SÃO MELHORES QUE OS BAIXOS, pronto… falei)
Voltando, a ópera é levada nesse tom até o seu fim quando Pinkerton aprece com a sua mulher americana, leva o seu filho para os Estados Unidos enquanto Cio-Cio-San se mata de vergonha por ter sido enganada, sim, bem Ópera esse fim. Como eu disse, no geral a ópera é boa, mas não brilhante, Tosca ou La Bohème do próprio Puccini são melhores, a música não é extraordinária, as melhores árias são boas, mas até mesmo dentro de Puccini para cada ária boa de Madama Butterfly posso dizer outras duas melhores, o libreto abusa do dramatismo, e não de uma maneira aceitável como em La Traviata ou Wagner, aqui é de uma maneira cheia de berros e choro, não se enganem, ópera deve ser dramática, mas existe uma linha tênue entre drama e desculpa para berrar e chorar compulsivamente, enfim eu vou colocar as duas melhores árias da ópera, a mais que famosa Un bel dí vedremo, de Cio-Cio e Addio Fiorito Asil de Pinkerton, por favor vejam e depois me contem se acham realmente melhor que qualquer outra música que já postei aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=1woH96ROG-c -Aqui vai Um bel dí com Renata Tebaldi (acharam que eu ia facilitar e colocar a Callas? Não, tem que escutar com uma voz humana cantando)
http://www.youtube.com/watch?v=Op6an4OftBM&feature=related
– E aqui Fiorito Asil com o eterno Pavarotti que embora a cante em um concerto não tem problema, a voz compensa. Eu acho que essa é a melhor ária de Madama Butterfly
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COLORaturaS
De volta, e com um bom material, o novo cd da soprano coloratura Diana Damrau, para alguem que leu meus posts anteriores não vai ser surpresa eu dizer que Diana Damrau é minha cantora favorita e seria de se esperar que COLORaturaS (SIM, o nome é bem assim,eunão estou bêbado) iriar ser facilmente aceito por mim, mas… é óbvio que ele foi, todavia não tão facilmente quanto eu achava. Para falar de COLORaturaS preciso voltar um pouco para o verão passado, mais especificamente para as duas músicas que mais escutei verão passado., Quando Piu Irato Frem(Salieri) e Der Hölle Rache(Mozart) de Arie di Bravura, óbviamente da Soprano Alemã. Arie di Bravura, foi um dos Cds mais brilhantes de ópera dos últimos anos, possívelmente o MAIS brilhante; a idéia do Cd era juntar trabalhos de Coloratura tanto de Mozart quanto de Salieri, tem uma terceira parte de Righini que praticamente desaparece se comparada com as outras duas, mas no geral o Cd é genial. Depois de Arie di Bravura nós tivemos Donna, esse somente com Mozart. Donna devia ter ganho um prêmio pelo seu nome, Donna é o nome pefeito para as árias que o Cd nos apresenta, são árias de mulheres com alma, e ao mesmo tempo que são bem diferentes, de um lado temos Mi Tradite e Dove Sono que são árias mais leves, podendo tender a tristeza e do outro temos uma ária cheia de personalidade e dramatismo como Marten Alle Arten ou de tristeza pura como Ach,Ich Fühl’s; Mesmo para alguem que só conhecesse Dmrau pelos Cd estava claro que Arie di Bravura não tinha sido mero acaso, Fraulein Damrau TEM talento, porém havia um pequeno problema, era Mozart demais: ela precisava mudar! e não só pelos Cds, mas os dois papéis que ela mais cantava eram A Rainha da Noite e Konstanze, que são papéis ótimos, mas são cansativos para voz (se está duvidando escute Der Hölle Rache e Marten Aller Arten dos posts abaixo e se imagine cantando isso uns 5 meses por ano). Além de cansativos, são papéis vocalmente parecidos, por isso Damrau mudou, ela renovou e a prova disso é COLORaturaS, se EU gostei? digamos que eu não odiei, mas não via problema com Mozart…
Enfim, COLORaturaS, é bom, é bem bom, é diferente, é novo, é bem cantado mas eu acho que em algumas árias falta uma certa emoção no canto, não estou criticando, Damrau está impecável, mas sabe quando falta aquela emoção de quando o artista está cantando algo que realmente gosta? Não é por isso, no entanto, que o Cd perde seu atrativo e mérito, pelo contrário, o Cd tem uma versão de O mio Babbino Caro que deve ser a primeira versão diferente das demais em anos, pois depois de La Donna e Mobile, O mio Babbino Caro deve ser uma das árias mais clichês da ópera (não posso dizer a mais, ópera é cheia de clichês) e não é só isso, nós temos Großmächtige Prizessin de Strauss, MUITO BEM CANTADA, uma ária de Gnoud, Je Veux Vivre que eu achei excelente, a ária de Candido, de Leonard Bernstein, Glitter and be Gay (por deus, leiam Gay como feliz, se não a ária está perdida), mas voltando Glitter and be Gay está absurda, provavelmente a melhor ária do Cd, as árias de Verdi estão bem boas também, e isso que eu não sou um fã de Verdi. Se tem uma ária que eu posso falar mal no Cd é A vos jeux, mes amis, de Hamlet composto por Ambroise Thomas, a ária é longa e falta o dramatismo que eu acho que a personamgem da Ofélia devia ter, se isso é problema como o compositor ou com a cantora não sei, preciso descobrir…
No geral COLORaturaS é BOM, não posso dizer que seja brilhante como Arie di Bravura ou Donna (tanto que a música que mais escutei esse verão foi Mi Traedi de Donna) mas em algumas árias que eu mencionei acima, especialmente Glitter and be Gay dá para lembrar dos dois primeiros Cds e arriscar dizer que Damrau,quando inspirada por uma boa ária é A Prima Donna da ópera atualmente, e não podemos nso esquecer do serviço que ela fez renovando O mio Babbino Caro. Eu vou colcoar o link para Glitter and be Gay, que para mim é a melhor ária, e uma das árias mais complicadas da ópera dizem.
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Férias
Não tem nem como fingir que ainda estou trabalhando nesse blog, por enquanto, até o fim de Janeiro ele vai estar abandonado, mas quando eu voltar para Porto Alegre esperem updates de uma maneira mais respeitosa
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Der Hölle Rache
“A Vingança do Inferno borbulha no meu coração, morte e desespero queimam ao meu redor” é assim que começa a todo-poderosa Der Hölle Rache, provavelmente a maior ária da ópera, certamente a melhor sobre vingança (acreditem tem VÁRIAS sobre vingança) e a melhor ária de A Flauta Mágica (Die Zauberflöte.) Uma explosão de coloratura e raiva é Der Hölle Rache, alta, cuidadosamente melodramática, perfeitamente planejada. Mozart se esmerou nessa ária, Die Zauberflöte é uma das melhores óperas já feitas, e Hölle Rache é seu clímax.
A Flauta Mágica é a ópera maçônica de Mozart, e nela Sarastro, o sábio líder dos “Iniciados” (Eingeweihten) representa o Iluminismo e em uma análise mais artística, o Classicismo. A Rainha da Noite (Könignin Der Nacht) representa o absolutismo e o barroco, mas é ela com suas ideias ultrapassadas e suas árias melodramáticas que roubam a cena, enquanto nós temos Tamino e Pamina lutando para poderem viver em paz com seu amor,Papageno com o lado cômico da ópera e Sarastro como uma espécie de Yoda para o Jovem Casal quem realmente brilha é a ELA, se continuássemos com a metáfora Star Wars A Rainha seria Darth Vader e Imperador juntos, ela É MÁ, perigosa, maquiavélica ao ponto de manipular Tamino, um desconhecido e Pamina, sua própria filha só para conseguir o poder (simbolizado pelo “Amuleto dos Sete Círculos do Sol”) que foi entregue pelo o marido falecido da Rainha a Sarastro. Der Hölle Rache acontece quando a Rainha obriga sua filha a matar Sarastro e entrega à Pamina um punhal para realizar a tarefa. A ária é completamente coloratura; Rápida e Forte Hölle Rache tem letra e música em simbiose, a letra seria algo assim: (perdoem o meu alemão, ele ainda está sendo treinado)
A Vingança do Inferno borbulha no meu coração
Morte e desespero queimam ao meu redor
Se não através de ti Sarastro sentir a dor da morte
Tu serás minha filha Não Mais
Deserdada, para todo sempre
Abandonada, para todo sempre
Destruída, para todo sempre|
De todos laços da Natureza
Se não,por ti, Sarastro ficar pálido
Escutem! Deuses da Vingança Escutem!
O Juramento da Mãe
Para adornar essa letra temos notas altas, MUITO ALTAS, eu estou falando do famoso F6, curiosamente a Rainha atinge dois F6 em Der Hölle Rache, um a menos que em Zittre Nicht(sua primeira ária) mas Der Hölle Rache é no geral mais alta, mais rápida e mais forte e por isso ela é A ÁRIA, mas por mais que eu me esforce não tenho como descrever com palavras, Der Hölle Rache (que por sinal quer dizer “A Vingança do Inferno”) é a quintessência de raiva e vingança e ódio etc. Para entender tem que ver e ouvir, e notem, VER, pois nessa ária interpretação é tudo. Eu escolhi a versão da Diana Damrau que é perfeita, tem a voz certa, uma coloratura ótima, uma interpretação magnífica, enfim ela É A Rainha da Noite.
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Sacrificium
Ok, vamos aos castrati, a ideia por trás de Sacrificium é tão terrivelmente simples que era certo que iria funcionar, não existe muitos castrati atualmente, e os contra tenores não conseguem ficar tão agudos (além de soarem…estranhos) então Bartoli (ou alguma outra pessoa de visão disse para ela) pensou em fazer um cd com árias para castrati, funciona, ela uma mezzo-soprano (que acha que pode brincar de soprano) tem o alcance necessário. O repertório de Sacrificum é diferente do que eu imaginei, quando ouvi que era um Cd com árias de castrati logo pensei em Ombra mai Fu, Crude Furie, e outras árias de Händel ou algumas de Vivaldi, Joyce Di Donato gravou algumas dessas (Crude Furie por exemplo) e ficaram bem boas, todavia Bartoli surpreendeu, o repertório dela só de compositores “menos conhecidos”, entre eles aponto Caldara, Porpora e Graun; todos bem fiéis ao barroco. Sobre as músicas posso dizer que foi mais ou menos o que se espera, algumas árias bem fortes como Come nave in mezzo all’onde de Caldara e In braccio a mille furie de Porpora, outras bem mais calmas e eu poderia dizer até sem graça como Misero Pargoletto de Graun e uma que apesar de calma é muito boa, uma das melhores do Cd Quel buon pastor son io de Caldara.
Sobre a cantora não posso reclamar, ela está impecável, acho que se eu não vejo as caretas que ela faz quando canta consigo suportar ela. Sacrificium, além de ser, no geral, bastante bom, traz uma surpresa, e não, não é a Bartoli, é Leonardo Vinci (não é O Leonardo da Vinci, só um plágio musical) Leonardo Vici e sua ária Chi temea Giove regnante,para mim a melhor do Cd.
Sacrificium é bom, não é o melhor, nem o pior e fico surpreso que ele esteja vendendo tanto, uma vez que eu mesmo achei um CD não muito acessível para aqueles que não estão acostumados a escutar esse tipo de música, teve árias como Misero Pargoletto que até eu que escuto ópera diariamente, achei bastante chata; Por outro lado fico feliz, pois se Sacrificium ainda pode ganhar esse público, no futuro Cds melhores podem ser feitos e vendidos, se receberem a mesma pompa de Sacrificium, eu acho importante isso para mostrar que,apesar de agonizante, a ópera ainda pode maravilhar o público se esse não a encara com preconceito.
Aqui segue Chi Temea Giove regnante:
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Somente Caveats
Estou mudado, sim, eu agora estou baixando Cecilia Bartoli. NÃO, Sacrificuim não tem nada a ver com isso, Ainda não cheguei a uma conclusão sobre Sacrificium, o que tem a ver é a grande quantidade de obras que ela cantou. Cecilia cantou todos tradicionais, como Vivaldi, Händel e Mozart e ainda uns mais “esquecidos” como Gluck e Salieri, eu ainda defendo que ela Não é tão fantástica quanto dizem, a Damrau é MUITO MELHOR, mas Damrau não tem tantos Cds. Essa semana antes da viagem eu não vou escutar Bartoli, eu vou escutar Salieri, Vivaldi, Caldara, Gluck e outros, por quem eles são cantados eu não vou me preocupar, eu vou superar meus preconceitos para poder escutar música de compositores muito bons que caso contrário me seriam negados, desejem-me sorte, e amanhã ou sábado eu coloco aqui o que achei de Sacrificium
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Avisos e Caveats
Sim, o terrível aconteceu, eu me rendi ao novo Cd da Cecilia Bartoli, Sacrificium, todos estavam falando como era bom e eu resolvi escutar, sim são árias para castratos cantadas pela Cecilia Bartoli, provavelmente vou me matar no meio, mas vou escutar e logo logo coloco minha avaliação aqui. Juro que vou tentar ao máximo ser imparcial
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